A goleada sobre o Panamá serviu menos para confirmar titulares e mais para aumentar a concorrência no elenco. Com jovens pedindo passagem, Carlo Ancelotti ganha alternativas para montar um Brasil mais rápido e intenso rumo à estreia diante do Marrocos.
O mês da Copa do Mundo começou. E, pela primeira vez em muito tempo, o torcedor brasileiro parece ter saído de um amistoso falando menos do placar e mais do futuro.
O 6 a 2 sobre o Panamá, ontem no Maracanã, teve seu valor, mas a principal mensagem não está no resultado. Está na sensação de que alguns jogadores que chegaram sem tanto status à convocação podem ser justamente aqueles capazes de mudar o patamar da Seleção Brasileira.
Quando o time considerado titular esteve em campo, vimos uma equipe competente, mas previsível emmuitos momentos. Já após as mudanças promovidas por Carlo Ancelotti, surgiu um Brasil mais leve, mais agressivo e com mais intensidade. Não é exagero dizer que os reservas roubaram a cena.
Rayan talvez seja o maior símbolo desse momento. Há poucos meses, muitos sequer o colocavam entre os nomes possíveis para uma Copa do Mundo. Agora, o ex-atacante do Vasco parece cada vez mais confortável vestindo a camisa amarela. Tem velocidade, personalidade e ataca os espaços que o futebol moderno exige.
Lucas Paquetá também mostrou que continua sendo um jogador capaz de acelerar o jogo entre meio-campo e ataque. Igor Thiago entrou bem e reforçou a impressão de que o Brasil precisa aumentar sua competitividade interna.
Talvez a principal lição desse amistoso seja justamente essa: a Seleção não pode depender apenas dos medalhões. O futebol atual exige intensidade durante 90 minutos, e isso só acontece quando experiência e juventude caminham juntas.
Vinicius Júnior segue sendo o grande diferencial técnico do elenco, mas ao redor dele o Brasil precisa construir uma equipe mais dinâmica, inclusive com Rafinha na sua posição correta. A Copa do Mundo raramente é vencida apenas pelos nomes mais famosos. Normalmente é conquistada pelos times que conseguem revelar protagonistas ao longo do torneio.
Por isso, é difícil acreditar que a equipe que iniciou do meio campo para frente, o amistoso contra o Panamá será exatamente a mesma da estreia diante do Marrocos, no próximo dia 13. Antes disso, ainda haverá o teste contra o Egito, nos Estados Unidos, e Ancelotti certamente observou detalhes que vão influenciar suas escolhas.
O Brasil ainda não convenceu totalmente. Mas talvez tenha encontrado algo muito importante: concorrência. E seleção forte costuma ser aquela em que ninguém se sente dono da posição.
Colunista: Ednelson Cunha – Foto: Rafael Ribeiro/CBF





