- Pintura temporária com as cores do São Paulo no Canindé provoca protestos de torcedores da Portuguesa e leva a organizada Leões da Fabulosa a divulgar nota de repúdio. (Foto: Reprodução).
Leões da Fabulosa critica decisão da Associação, enquanto presidente defende locação do estádio como fonte de receita e promete restaurar os espaços após as gravações
A pintura de setores do Canindé com as cores do São Paulo para a gravação de uma série sobre a Democracia Corinthiana gerou forte insatisfação entre torcedores e a diretoria da Associação Portuguesa de Desportos.
O conflito expôs o choque entre a preservação simbólica da identidade do clube e a busca por receitas comerciais via locação do estádio.A torcida organizada Leões da Fabulosa emitiu nota oficial de repúdio afirmando que a tradição da Lusa não se negocia, e o muro do estádio sofreu pichações de protesto.
O presidente da Associação, Leandro Teixeira Duarte, assegurou que as alterações são estritamente temporárias e que a estrutura será restaurada após as filmagens.
A caracterização temporária de trechos do Estádio do Canindé com as cores do São Paulo (vermelho, branco e preto) deflagrou uma crise entre a torcida da Portuguesa e a Associação Portuguesa de Desportos, administradora do complexo. O episódio desdobrou-se em notas de protesto nas redes sociais, manifestações formais e pichações nos muros da praça esportiva durante o fim de semana.
O que houve
No domingo (18), torcedores que frequentavam o Lusa Cup — evento promovido pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Portuguesa — identificaram que paredes e estruturas do Canindé haviam recebido tinta vermelha, branca e preta. A intervenção visual foi contratada para servir de cenário a uma produção audiovisual temática sobre a Democracia Corinthiana, na qual o Canindé é utilizado para simular o Estádio do Morumbi.
A presença dos tons do rival tricolor na praça esportiva rubro-negra gerou insatisfação imediata de frequentadores, repercutindo em canais digitais e desencadeando atos de protesto no local.
Por que a decisão foi tomada
Diante da reação pública, o presidente da Associação Portuguesa de Desportos, Leandro Teixeira Duarte, manifestou-se oficialmente para justificar a cessão do espaço. O dirigente declarou que a locação para gravações cinematográficas e publicitárias integra a estratégia de geração de receitas alternativas da entidade associativa.
Segundo Duarte, os valores auferidos com o aluguel do equipamento imobiliário auxiliam no financiamento do processo de reconstrução do clube social e do patrimônio. Ele ressaltou que a prática já ocorreu em outros momentos, citando como exemplo as filmagens da obra Brasil 70: A Saga do Tri.
O presidente garantiu que a alteração tem caráter estritamente temporário e que a empresa responsável pela produção entregará os setores pintados devidamente restaurados às cores originais do clube ao término das gravações.
A reação e os protestos
A explicação institucional não evitou o avanço do desgaste. A principal torcida organizada do clube, Leões da Fabulosa, emitiu nota de repúdio na qual criticou severamente a autorização para uso das cores de um adversário no estádio. A entidade argumentou que a representação simbólica do clube não pode ser secundarizada por apelo financeiro, frisando que a identidade do clube é exclusivamente vermelha e verde.
Além do posicionamento da organizada, os protestos ganharam desdobramento material. Paredes e estruturas que receberam a pintura das gravações foram parcialmente cobertas por tintas trazidas por torcedores, com inscrições de frases como “Tradição não se vende” e pichações de oposição à gestão da Associação.








