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CBF cancela registro de Diego Souza e amplia investigação sobre licenças de treinadores no caso Mancuso

  • Diego Souza teve o registro de treinador cancelado pela CBF após a entidade identificar irregularidade na licença apresentada para inscrição no BID. (Foto: (Luiz Vieira/JEC).

Técnico do Joinville afirma que não sabia que documento era falso; CBF encaminhou caso à Comissão de Ética e à CNRD

A CBF cancelou nesta quinta-feira (8) o registro de Diego Souza como treinador no Boletim Informativo Diário (BID). O ex-jogador, atualmente no Joinville, havia sido inscrito com uma licença PRO atribuída à Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA), considerada falsa pela entidade argentina.

Diego afirma que recebeu o documento de Alejandro Mancuso em 2023 e não sabia da irregularidade. A CBF iniciou um pente-fino e encaminhou o caso à Comissão de Ética e à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD)

Diego Souza perde registro após documento ser considerado falso

Diego Souza teve o registro como treinador cancelado pela CBF nesta quinta-feira (8), após aparecer entre os nomes citados na investigação sobre a venda de licenças falsas de treinador atribuídas à ATFA.

O ex-jogador assumiu o comando do Joinville em agosto e estava autorizado a trabalhar como técnico desde 27 de agosto, segundo o registro do BID.

Para conseguir a inscrição, Diego apresentou uma licença PRO atribuída à entidade argentina.

A ATFA informou que o nome de Diego Souza não constava em seus registros. A documentação, portanto, não teria sido emitida oficialmente pela associação.

Diego afirma que foi enganado por Mancuso

Diego Souza declarou que recebeu a documentação em 2023, quando ainda era jogador do Grêmio.

Segundo o ex-atacante, Mancuso se apresentou como “diretor internacional da ATFA” e afirmou que atletas renomados poderiam obter as licenças sem passar pelo processo tradicional de formação.

Diego disse que acreditou na proposta porque Mancuso citava outros jogadores que teriam recebido documentos semelhantes.

O ex-jogador afirmou que não tinha intenção de fraudar documentos e que pretende tomar as medidas necessárias para esclarecer a situação e responsabilizar quem tiver cometido irregularidades.

Quem mais pode perder o registro?

Essa é uma das principais questões abertas pela investigação.

Até o momento, a CBF não anunciou o cancelamento do registro de nenhum outro treinador citado no caso.

A entidade realizou uma busca para identificar profissionais registrados no Brasil com licenças atribuídas à ATFA. Foram encontrados dois casos: o de Diego Souza, do Joinville, e o de um treinador das categorias de base do São Paulo.

Segundo a apuração do UOL, a documentação do profissional ligado ao São Paulo foi considerada verdadeira. Portanto, não há, neste momento, indicação de que ele esteja sujeito à mesma medida aplicada a Diego Souza.

Isso significa que os demais nomes citados na investigação não podem ser tratados como pessoas que perderão o registro. Eventuais consequências dependerão da análise individual de cada situação, dos documentos utilizados e de como eles foram apresentados às entidades esportivas.

Quem são os nomes citados no caso Mancuso?

A investigação publicada pelo UOL cita nomes conhecidos do futebol que teriam negociado certificados de treinador com Alejandro Mancuso.

Entre eles estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic e Paulinho, além de outros nomes.

A situação, porém, não é igual para todos.

Alguns afirmaram ter acreditado que estavam adquirindo uma formação ou certificação legítima. Outros disseram ter desconfiado da operação ou relataram problemas durante o processo.

Por isso, a simples citação de um nome na investigação não significa que o profissional tenha cometido fraude ou que será punido pela CBF.

Como funcionava o esquema investigado

Segundo a reportagem que revelou o caso, Mancuso oferecia uma espécie de caminho rápido para obtenção de quatro licenças: PRO, A, B e C.

O pacote custaria cerca de R$ 100 mil e, segundo os relatos publicados, os documentos poderiam ser entregues em poucos dias, sem que o interessado cumprisse todas as etapas exigidas pela formação tradicional.

Os documentos eram apresentados como certificados da ATFA.

A associação argentina, porém, negou que Mancuso tivesse autorização para emitir os certificados e afirmou que os documentos negociados por ele eram falsos.

Mancuso nega ter vendido diplomas falsos e afirma que apenas teria facilitado contatos.

CBF abre apuração sobre responsabilidades

O caso de Diego Souza foi encaminhado pela CBF à Comissão de Ética e à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).

A investigação deverá analisar as circunstâncias em que a documentação foi apresentada, as responsabilidades do treinador e do clube e eventual descumprimento das normas da entidade.

O Regulamento Geral de Registros da CBF estabelece que os clubes são responsáveis pela veracidade dos documentos apresentados no processo de inscrição.

No caso de Diego Souza, o Joinville disputa atualmente a Copa Santa Catarina, uma competição estadual. Por isso, o registro não havia passado pela mesma checagem feita pela CBF em competições nacionais.

CBF pede maior rigor à Conmebol

A CBF também solicitou à Conmebol maior rigor na fiscalização de diplomas e licenças de treinadores apresentados no futebol sul-americano.

A preocupação aumentou depois da identificação de documentos atribuídos a entidades argentinas que não teriam sido emitidos oficialmente por essas organizações.

A entidade brasileira afirma que a ATFA não é responsável pelos documentos falsificados atribuídos a ela.

O que pode acontecer agora

O cancelamento do registro de Diego Souza é, até agora, a primeira consequência administrativa concreta da investigação dentro da CBF.

O caso ainda está em apuração.

A situação dos demais profissionais dependerá da análise de seus registros, das licenças utilizadas e da eventual relação desses documentos com o esquema investigado.

Por isso, neste momento, não é possível afirmar que outros treinadores terão seus registros cancelados.

O caso de Diego Souza também não representa, por si só, uma conclusão de que ele participou conscientemente de uma fraude. O treinador sustenta que acreditava na validade do documento que recebeu de Mancuso.

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