- Marília terá pela frente 15 adversários na Série A2 de 2027 após conquistar o acesso na temporada passada. (Foto: Matheus Dahsan).
MAC encontrará clubes com passagens recentes por A1, Série C, Série D e Copa Paulista, enquanto diretoria terá de montar um novo time com orçamento reduzido
O retorno do Marília à Série A2 do Campeonato Paulista, 11 anos depois da última participação, colocará o clube novamente em um cenário de maior exigência. O MAC terá 15 adversários na competição em 2027, entre eles equipes que disputaram recentemente a elite estadual e clubes que mantêm presença frequente em competições nacionais.
A lista reúne Ponte Preta e Velo Clube, rebaixados da Série A1 em 2026, além da Portuguesa Santista, promovida da Série A3. Completam a competição Água Santa, Inter de Limeira, Ituano, Linense, Monte Azul, Osasco Sporting, Santo André, São José, Sertãozinho, Taubaté, Votuporanguense e XV de Piracicaba.
O desafio do Marília, porém, não está apenas dentro de campo. O clube chega à A2 depois de conquistar o acesso e de passar por uma reformulação praticamente total do elenco. O presidente Alysson Alex afirmou em meados de setembro que o clube atravessa o pior momento financeiro desde o início da atual gestão e que não há dinheiro disponível para fazer grandes investimentos.
O dirigente também informou que setembro e outubro seriam destinados a ajustes financeiros, rescisões e questões relacionadas à recuperação judicial. Entre os compromissos está o vencimento, nesta quarta-feira (30), de uma parcela prevista no acordo firmado em março deste ano.
Pelo acordo, o Marília se comprometeu a pagar o valor restante de uma cota de R$ 40 mil até 30 de setembro aos 29 credores que aceitaram a proposta de quitação rápida. Os demais credores que recusaram o plano seguirão recebendo os repasses de forma escalonada, em prazos que podem chegar a 20 anos.
Segundo Alysson, a montagem do elenco para a temporada de 2027 deverá começar somente em novembro.
O tamanho do desafio para o MAC
A Série A2 de 2027 terá um grupo de clubes bastante diferente daquele que o Marília enfrentava quando disputou a competição pela última vez, em 2016.
Ponte Preta e Velo Clube chegam da Série A1. A Ponte é um dos clubes mais tradicionais do interior paulista e terá de disputar novamente a divisão de acesso depois do rebaixamento. O Velo Clube também retorna à A2 após duas temporadas na elite.
Do outro lado, Marília e Portuguesa Santista chegam da A3 com o acesso conquistado em 2026. A Portuguesa Santista retorna imediatamente à A2 depois de ter sido rebaixada em 2025, enquanto o MAC volta ao segundo nível estadual após uma década.
Entre os demais participantes há clubes que tiveram calendário nacional em 2026.
Adversários que chegam com experiência nacional
Inter de Limeira — disputou a Série C do Campeonato Brasileiro em 2026. A equipe avançou à segunda fase e terminou a primeira etapa na sexta colocação, com 30 pontos, garantindo vaga no quadrangular nacional e está próximo de ascender a Série B de 2027.
Ituano — também disputou a Série C do Brasileiro em 2026. O clube terminou a primeira fase em 15º lugar, com 22 pontos, e não avançou à segunda fase.
Água Santa — participou da Série D do Campeonato Brasileiro em 2026 e avançou à segunda fase. O time de Diadema terminou a primeira fase na segunda colocação do Grupo 13 e enfrentou o Velo Clube no mata-mata.
Velo Clube — além de disputar a Série A1 em 2026, participou da Série D do Campeonato Brasileiro. O clube avançou à segunda fase do torneio nacional e enfrentou o Água Santa.
XV de Piracicaba — teve calendário nacional em 2026 com a disputa da Série D e também participou da Copa Paulista. Na Série D, terminou a primeira fase na liderança do Grupo 14 e avançou ao mata-mata. Na Copa Paulista, foi eliminado na primeira fase.
O XV também chegou à Copa Paulista de 2026 como atual campeão da competição.
A Copa Paulista também aparece no caminho
Outro indicador do nível dos adversários é a presença de vários clubes da futura A2 na Copa Paulista de 2026.
O Marília participou da competição, mas terminou eliminado ainda na primeira fase. O MAC ficou no Grupo 1 ao lado de Linense, Grêmio Prudente e Bandeirante e encerrou sua campanha com quatro pontos de 18 disputados.
O Linense, adversário que o Marília reencontrará na A2, avançou às quartas de final da Copa Paulista.
O São José foi ainda mais longe e está entre os semifinalistas da competição. A equipe enfrenta o Noroeste por uma vaga na decisão.
O XV de Piracicaba também disputou a Copa Paulista, mas foi eliminado na primeira fase.
A Copa Paulista de 2026 oferece ainda uma vaga nacional aos finalistas: o campeão poderá escolher entre Copa do Brasil e Série D de 2027, enquanto o vice ficará com a vaga restante.
Isso significa que a composição definitiva do calendário nacional de alguns clubes ainda pode mudar conforme o desfecho da competição.
Votuporanguense também aponta preocupação com os custos
A dificuldade financeira não é uma preocupação exclusiva do Marília.
Durante as discussões sobre a Série A2 de 2027, o Votuporanguense participou das reuniões com a Federação Paulista de Futebol e defendeu mudanças no formato da competição. O clube apoiou uma proposta de turno único seguido diretamente pelas quartas de final.
A discussão está relacionada também à necessidade de reduzir custos. O Conselho Arbitral definitivo está marcado para 28 de outubro, quando será definido o formato da competição.
No pré-Conselho Técnico, a FPF informou aos clubes que a cota financeira de 2027 poderá ser menor. A redução estaria relacionada à necessidade de diminuir despesas das equipes, inclusive com deslocamentos.
Para o Marília, o cenário é especialmente sensível.
A cota da Série A2 em 2026 ficou em torno de R$ 700 mil, além de aproximadamente R$ 300 mil referentes ao patrocinador da competição. Para 2027, a manutenção desses valores e dos acordos comerciais ainda não está garantida, diante das mudanças nas regras para o setor de apostas esportivas e dos efeitos da Medida Provisória editada pelo governo federal.
MAC terá de reconstruir o elenco
O acesso conquistado em 2026 veio com um time que tinha como principal referência o técnico Ricardo Costa.
O treinador deixou o clube no último fim de semana, encerrando sua segunda passagem pelo MAC. Ao todo, comandou o time em 45 partidas nas duas últimas temporadas, com 21 vitórias, 13 empates e 11 derrotas, aproveitamento de 56,3%. A saída aumenta a necessidade de reconstrução para 2027.
O presidente Alysson Alex já havia anunciado anteriormente uma reformulação praticamente total do elenco. Segundo o dirigente, apenas três jogadores seriam mantidos para a Série A2, enquanto o restante do grupo seria desligado.
Um dos jogadores que devem permanecer como referência para 2027 é o goleiro Wagner Coradin, que tem contrato com o Marília até 2028. O jogador foi decisivo na campanha do acesso em 2026 e defendeu cinco cobranças de pênaltis durante as fases eliminatórias.
Outro atleta com vínculo garantido é o volante Willian Bigode, que tem contrato com o clube até dezembro de 2027. Já o meia Carlos Alberto possui vínculo até maio da próxima temporada.
Marcelo Morelli surge como possibilidade para comandar o MAC
Com a saída de Ricardo Costa, o Marília precisa definir também o novo comandante para a A2.
Marcelo Morelli deve assumir o Marília para a temporada de 2027. O nome, porém, enfrenta resistência de parte da torcida. Até o momento, o clube não confirmou oficialmente a contratação do treinador.
Morelli já deve participar, neste início de outubro, da montagem do elenco em conjunto com a diretoria e o departamento de futebol. O planejamento inclui a avaliação de nomes e a definição das contratações para a próxima temporada. A tendência é que a pré-temporada tenha início no começo de dezembro.
Morelli chegaria para um desafio importante: comandar pela segunda vez uma equipe na Série A2 do Campeonato Paulista. Em 2026, o treinador dirigiu o São José na competição, mas deixou o cargo após a quinta rodada. A possível chegada ao Marília representaria uma nova oportunidade de trabalho na divisão, agora dentro do projeto do clube para 2027.
A eventual escolha também estaria inserida na política de redução de custos adotada pelo clube. A diretoria já sinalizou que não pretende repetir investimentos elevados, e a montagem do elenco deverá seguir uma política de controle financeiro, com atenção aos custos da próxima temporada.
O Marília terá pela frente um campeonato diferente
O MAC não encontrará apenas clubes tradicionais. A competição também reunirá equipes que chegam com experiências recentes em níveis superiores.
A Ponte Preta vem da Série A1.
O Velo Clube vem da Série A1 e também disputou a Série D.
A Inter de Limeira e o Ituano disputaram a Série C.
O Água Santa participou da Série D.
O XV de Piracicaba esteve na Série D e na Copa Paulista.
O São José está na semifinal da Copa Paulista de 2026.
O Linense avançou às quartas da Copa Paulista.
O Marília disputou a Copa Paulista, mas foi eliminado na primeira fase.
A Portuguesa Santista chega após o acesso na A3.
Esse conjunto mostra que a A2 de 2027 terá clubes com experiências e estruturas diferentes, mas vários deles já acostumados a calendários nacionais ou a disputas recentes por acesso.
Os 15 adversários do Marília em 2027
Ponte Preta — rebaixada da A1 em 2026; disputou a elite estadual nesta temporada.
Velo Clube — rebaixado da A1 em 2026; também disputou a Série D nacional.
Portuguesa Santista — promovida da A3 em 2026; retorna à A2 apenas uma temporada depois do rebaixamento.
Água Santa — remanescente da A2; disputou a Série D em 2026.
Inter de Limeira — remanescente da A2; disputou a Série C em 2026 e avançou à segunda fase.
Ituano — remanescente da A2; disputou a Série C em 2026.
Linense — remanescente da A2; está entre os clubes que disputaram a Copa Paulista de 2026 e avançaram às quartas de final.
Monte Azul — remanescente da A2; chegou à divisão após o acesso conquistado na A3 de 2025.
Osasco Sporting — remanescente da A2; também disputou a Copa Paulista de 2026, sendo eliminado na primeira fase.
Santo André — remanescente da A2; participou da Copa Paulista de 2026 e foi eliminado na primeira fase.
São José — remanescente da A2; está na semifinal da Copa Paulista de 2026.
Sertãozinho — remanescente da A2; havia conquistado o acesso da A3 em 2025.
Taubaté — remanescente da A2; disputou a competição em 2026.
Votuporanguense — remanescente da A2; foi semifinalista da competição em 2026 e participou das discussões sobre redução de custos e mudança do formato para 2027.
XV de Piracicaba — remanescente da A2; disputou a Série D e a Copa Paulista em 2026, além de ter sido campeão da Copa Paulista de 2025.
O que o Marília terá pela frente
O retorno à Série A2 representa uma mudança significativa de patamar para o Marília.
O clube terá pela frente uma competição com 16 participantes, mas o formato ainda não está definido. Quatro propostas foram apresentadas nas discussões iniciais, incluindo a possibilidade de manter os quadrangulares ou adotar um mata-mata a partir das quartas de final. O Conselho Arbitral de 28 de outubro deverá definir o modelo oficial.
O MAC, portanto, entra em 2027 com três desafios simultâneos: montar um elenco competitivo, controlar as despesas e enfrentar adversários que chegam com experiências recentes em divisões superiores e competições nacionais.
O clube conseguiu o acesso depois de dez anos fora da A2. Agora, terá de construir uma equipe praticamente nova para disputar uma divisão na qual a margem para erros tende a ser menor.
A situação financeira coloca um limite claro ao projeto. Alysson Alex já declarou que o Marília está sem dívidas, mas também sem dinheiro em caixa. A diretoria pretende manter os pés no chão para evitar que o retorno à A2 provoque um novo desequilíbrio financeiro.
A próxima temporada, portanto, será mais do que o reencontro do MAC com a segunda divisão paulista. Será o primeiro grande teste do clube depois da recuperação financeira, do acesso conquistado em 2026 e de uma reformulação quase completa do futebol profissional.








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