- Lula reage ao manifesto dos clubes e afirma que pretende acabar com as bets no Brasil. (Fotos: Divulgação/MAC e Reprodução/YouTube).
Presidente voltou a defender restrições às apostas online durante ato em Guarulhos e citou Flamengo e Corinthians; clubes avaliam que uma proibição poderá provocar forte impacto financeiro no futebol brasileiro
O futebol brasileiro deve acompanhar nos próximos dias uma nova disputa envolvendo clubes, casas de apostas e o governo federal. Em comício realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo, na sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende acabar com as bets no Brasil.
A declaração ocorreu um dia após clubes brasileiros divulgarem um manifesto contra possíveis restrições ao mercado de apostas. As equipes alertam para os impactos financeiros que uma eventual proibição poderá provocar no futebol, especialmente nos contratos de patrocínio.
Lula afirmou que, se depender de sua vontade pessoal, as casas de apostas deixarão de atuar no país. O presidente também relacionou o avanço das bets ao endividamento de pessoas de menor renda.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país. É a coisa mais horrorosa que eu já vi na vida.”, declarou Lula durante o ato político em Guarulhos.
Clubes se mobilizam contra possível proibição
A reação do futebol brasileiro ganhou força depois da divulgação de um manifesto na quinta-feira (17). Centenas de clubes brasileiros e federações passaram a se posicionar contra possíveis restrições ao mercado de apostas e alertaram para os impactos de uma eventual mudança nas regras.
O documento sustenta que uma mudança desse porte poderá comprometer receitas importantes do futebol. Entre os principais pontos está o impacto sobre os patrocínios de casas de apostas, que ganharam espaço nas camisas e em propriedades comerciais dos clubes nos últimos anos.
O Marília Atlético Clube (MAC) também está inserido nesse movimento que mobilizou clubes e federações do futebol brasileiro. A equipe de Marília, que projeta seu retorno à Série A2 do Campeonato Paulista, passou a acompanhar de perto a discussão diante das possíveis mudanças no mercado de apostas e dos reflexos que elas poderão provocar nas receitas dos clubes do interior.
Até o momento, a manifestação do MAC ocorreu por meio de suas redes sociais, dentro da mobilização dos clubes brasileiros, sem divulgação de detalhes sobre a extensão de eventuais contratos da equipe com empresas do setor. O posicionamento coloca o clube mariliense no debate nacional que deverá ganhar novos capítulos nos próximos dias.

Segundo informações, 13 clubes da Série A têm atualmente contratos de patrocínio master com casas de apostas, com impacto estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão nessa fonte de receita.
O cenário coloca os clubes em alerta para os próximos passos do governo. A discussão deve avançar enquanto Brasília avalia alternativas para restringir as apostas online.
Lula cita Flamengo e Corinthians
Durante o discurso, Lula mencionou Flamengo e Corinthians ao responder ao posicionamento dos clubes. O presidente contestou a ideia de que o futebol brasileiro dependeria das bets para manter sua estrutura atual.
“Os times de futebol disseram que, se eu acabar com as bets, vai acabar o futebol”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente lembrou títulos mundiais conquistados por clubes brasileiros antes da popularização das apostas online.
“O São Paulo foi campeão do mundo três vezes e não tinha bets. O Santos foi campeão do mundo duas vezes e não tinha bets. O Grêmio foi campeão do mundo e não tinha bets. O Flamengo foi campeão do mundo e não tinha bets. O Internacional foi campeão do mundo e não tinha bets. E o meu Corinthians foi duas vezes campeão do mundo, e não tinha bets.”
Ao citar o Palmeiras, Lula encerrou o trecho com uma referência à conhecida discussão sobre o Mundial de Clubes.
“Lamentavelmente, só o Palmeiras não foi campeão do mundo”, disse o presidente.
Endividamento entra no centro da discussão
Lula também afirmou que o governo não deveria priorizar a arrecadação de impostos provenientes das bets diante dos problemas provocados pelas apostas entre parte da população.
“A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, afirmou.
O presidente relatou ainda o caso de um pequeno empresário que, segundo ele, acumulou R$ 2,2 milhões em dívidas relacionadas às apostas. Lula disse que o homem teria vendido a loja, o carro e até um terreno do pai para tentar quitar os débitos.
“Encontrei um pequeno empresário que estava devendo R$ 2,2 milhões. Já tinha vendido a loja dele, já tinha vendido o carro, já tinha vendido, inclusive, o terreno do pai dele”, relatou.
Governo prepara próximos passos
A possibilidade de uma medida do governo federal coloca o mercado de apostas e os clubes diante de um período de incerteza. Informações divulgadas nesta semana indicam que o governo trabalha em uma medida para restringir jogos de cassino online, embora o desenho final ainda esteja em discussão.
A Reuters informou que uma eventual medida em estudo poderá atingir principalmente os cassinos online, enquanto as apostas esportivas e seus patrocínios poderiam ficar fora de uma proibição mais ampla. O cenário, porém, ainda depende da definição do governo.
Por isso, os próximos dias serão importantes para o futebol brasileiro. Clubes, federações e representantes do setor deverão acompanhar a definição das novas regras e os possíveis efeitos sobre patrocínios, investimentos e receitas.
O argumento de Lula
O presidente afirmou que a facilidade de acesso às apostas mudou o comportamento dos jogadores. Segundo Lula, atualmente o apostador pode acessar as plataformas diretamente pelo celular, sem precisar sair de casa.
“Agora não, agora a gente não tem que ir em lugar nenhum. O jogo está dentro da nossa cozinha, está na nossa cama, está no nosso banheiro, está dentro do celular e a gente joga de forma desesperada e perde”, afirmou.
Lula também disse que não considera suficiente o argumento de que o fim das bets prejudicaria o futebol brasileiro.
“Então esse negócio de que se acabar com a bet vai acabar com o futebol é uma balela”, declarou.
O debate, agora, deverá avançar para além dos discursos. Enquanto o governo avalia novas medidas para o setor, os clubes tentam preservar uma importante fonte de receita e alertam para os possíveis efeitos de uma mudança abrupta.
O futuro do mercado de apostas no Brasil e sua relação com o futebol deverá ser definido pelos próximos movimentos do governo e pelas reações dos clubes e demais setores envolvidos.








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