- Bruno Guimarães corre para a cobrança de pênalti, defendida por Nyland (Foto: Rafael Ribeiro / CBF).
Faltou o protagonista que desequilibra, sobrou esforço e o amadorismo da CBF custou caro no Mundial.
Colunista Ednelson Cunha
O sonho do hexacampeonato terminou mais cedo. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, deixa mais perguntas do que respostas. E, na minha visão, o problema está muito além do resultado.
O Brasil fez uma partida que resume bem o momento da Seleção. Criou oportunidades suficientes para vencer, desperdiçou um pênalti, perdeu chances claras e precisou de muitas finalizações para tentar marcar. A Noruega teve mais controle da posse de bola, criou menos oportunidades, mas foi extremamente eficiente.
No futebol de alto nível, eficiência costuma decidir campeonatos. E foi exatamente isso que aconteceu.
Quando apareceu a oportunidade, Haaland resolveu o jogo. O Brasil, por outro lado, não teve quem assumisse esse papel.
Não vejo falta de dedicação. O que vejo é falta de um protagonista. Daquele jogador que, em uma Copa do Mundo, transforma uma partida equilibrada em vitória.
Vinícius Júnior continua sendo o jogador confiável desta geração brasileira. É quem mais desequilibra, quem mais cria jogadas. Mas nem sempre consegue decidir sozinho. E nenhuma grande seleção depende apenas de um atleta.
Também não acredito que seja justo apontar um único culpado pela eliminação. Jogadores erram, técnico erra. Mas o ciclo da Seleção também contribuiu para esse cenário.
Depois da saída de Tite, o Brasil passou por diferentes treinadores, ideias e projetos. Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, por fim, Carlo Ancelotti comandaram a Seleção em um período marcado por mudanças constantes. Faltou continuidade. Faltou identidade.
Outro tema que merece reflexão é a formação de jogadores.
O Brasil continua revelando talentos, mas a sensação é de que está cada vez mais difícil formar atletas capazes de decidir grandes partidas. Na minha avaliação, essa discussão também passa pelo futebol brasileiro.
Hoje, os clubes da Série A podem relacionar até nove jogadores estrangeiros por partida. É uma medida que eleva o nível técnico do campeonato, mas também reduz o espaço para jovens brasileiros conquistarem minutos importantes no profissional. Há quem defenda uma redução desse limite justamente para ampliar as oportunidades de atletas formados no país. É um debate que merece ser feito, embora não exista consenso de que essa medida, por si só, resolveria o problema.
A CBF, por sua vez, continua sendo uma das confederações mais fortes financeiramente do futebol mundial. Recursos não faltam. O desafio é transformar esse poder econômico em planejamento, estabilidade e desenvolvimento esportivo.
Mais do que trocar treinador ou buscar culpados, talvez seja hora de discutir o futuro da Seleção Brasileira.
O Brasil sempre foi reconhecido por revelar jogadores capazes de decidir jogos e encantar o mundo. Hoje, essa realidade parece mais distante.
Isso não significa que Carlo Ancelotti esteja isento de críticas. Na minha avaliação, o treinador demorou para mexer na equipe e não encontrou alternativas para mudar o rumo da partida. O Brasil já demonstrava perda de intensidade e organização mesmo com o placar em 0 a 0. A entrada de Neymar pouco alterou esse cenário. Com a bola nos pés, ainda mostrou qualidade em alguns lances, mas sem ela teve dificuldades para acompanhar o ritmo imposto pela Noruega, que encontrou espaços e foi cirúrgica para construir a vitória.
Talvez um modelo de jogo desenhado para potencializar as características de Neymar pudesse oferecer um rendimento melhor. Ainda assim, é difícil acreditar que isso mudaria o destino de uma Seleção Brasileira que revelou problemas durante todo o ciclo. A Copa do Mundo de 2026 também parece marcar o fim de uma geração. Neymar, Danilo e outros jogadores que fizeram parte desse período não estarão no próximo Mundial.
Agora começa o verdadeiro desafio: reconstruir a Seleção Brasileira. Não basta trocar nomes ou escolher um novo treinador. Será preciso formar uma geração capaz de devolver ao Brasil o protagonismo perdido no futebol mundial.
Que venha a próxima geração. Talvez Estevão, talvez outro jovem talento que ainda esteja dando os primeiros passos no futebol profissional. Hoje, ninguém sabe quem será o próximo jogador capaz de decidir uma Copa do Mundo com a camisa amarela. E essa, para mim, é a maior preocupação de quem sonha em ver o Brasil novamente no lugar onde sua história foi construída: o topo do futebol mundial.









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