Em 1º de maio de 2001, o MAC estreava sob nova gestão em Itápolis; o marco deu início a um dos períodos mais vitoriosos da história maqueana.
O dia 1º de maio de 2001 marca um divisor de águas definitivo na história do Marília Atlético Clube (MAC). Há exatos 25 anos, o clube dava o primeiro passo sob a gestão da American Sport, iniciando uma transformação profunda que mudaria seu patamar financeiro, estrutural e esportivo em um curto espaço de tempo.
Até aquele momento, o Marília vivia uma realidade difícil na Série A3 do Campeonato Paulista. O clube era conduzido pelo presidente Hely Bíscaro, que mantinha a equipe com recursos limitados, apoiado por patrocinadores e pela mobilização local. Dentro de campo, a instabilidade também era evidente, refletida na constante troca de treinadores.
A temporada de 2001 começou com uma sequência incomum de comandos técnicos: Nazareno Silva dirigiu o time em um jogo, Marco Antonio Machado em sete partidas, Tosin em uma, Paulo Robson, o próprio Hely Bíscaro em outra, além de Wilson Mano, que chegou a comandar apenas dois treinos. Por fim, Wanderley Paiva assumiu o elenco no momento decisivo da transição.
Nos bastidores, o MAC enfrentava dificuldades para sustentar a campanha do acesso, pressionado por custos com 15 viagens, hospedagem, alimentação e salários ao longo da Série A3.

Com a saída do técnico Paulo Robson na 13ª rodada, o presidente Hely Bíscaro assumiu a técnica na sequência e conduziu a vitória por 3 a 0 sobre o Taubaté, apostando em atletas da base como João Marcos, Nekinha e Dudu.
Na rodada seguinte, Hely agiu rápido e acertou a chegada do ex-jogador do Corinthians Wilson Mano para dar sequência ao trabalho.
Paralelamente, já estava encaminhado o acordo para a gestão do futebol com a American Sport, liderada por Luiz Antonio Duarte Ferreira, mariliense com atuação no futebol de Garça.
No entanto, um episódio curioso atrasou a oficialização. Wilson Mano teria ignorado Hely Bíscaro em um restaurante tradicional próximo ao Abreuzão, o que causou desconforto e fez o dirigente recuar momentaneamente na transição. A reação foi imediata: Wilson Mano foi desligado, Wanderley Paiva contratado, e somente após mais duas rodadas o acordo com a American Sport foi definitivamente firmado.
A oficialização ocorreu no dia 29 de abril de 2001. O último ato de Hely Bíscaro no comando do Marília foi a vitória por 3 a 0 sobre a Inter de Bebedouro, pela 16ª rodada da Série A3. Após a partida, ainda no vestiário do Abreuzão, ele reuniu jogadores, imprensa e autoridades e anunciou formalmente a transferência da gestão para Cai-Cai.
Naquele momento, o Marília ocupava a 10ª colocação entre 16 equipes, com 22 pontos, somando cinco vitórias, seis empates e cinco derrotas. O regulamento previa disputa de pênaltis após empates, com ponto extra em jogo, o que influenciava diretamente a classificação.
Sem poder contratar jogadores devido às regras da competição, a nova gestão adotou medidas estratégicas imediatas. O meia Assis, com passagens por São Caetano e Rio Preto, foi reintegrado ao elenco após afastamento. Além disso, foi implementado um sistema de premiação: R$ 100 por ponto conquistado fora de casa, R$ 300 por vitória, independentemente do mando, e um bônus de R$ 50 mil em caso de acesso, a ser dividido entre os jogadores.

A estreia da Era American Sport aconteceu dois dias depois, em 1º de maio de 2001, no Estádio Idenor Picardi Semeghini, o Picardão, em Itápolis, contra o Oeste, adversário que representava uma das maiores rivalidades da época.
O ambiente era de extrema tensão. Devido ao histórico de confrontos entre as torcidas, a delegação do Marília viajou escoltada e com segurança privada. Durante a chegada ao estádio, o ônibus foi atingido por pedras, tendo vidros estilhaçados. Apesar disso, o elenco conseguiu chegar ao local e entrar em campo.
Dentro das quatro linhas, o Marília foi derrotado por 2 a 0. O resultado, porém, teve pouco peso diante do contexto maior. Aquele jogo representava o início de uma reconstrução.
O time titular do Marília naquela partida foi formado por:Helder; Claudemir, Robson Augusto, Alemão e Anderson Ratinho; Lê (Assis), Benson, Rodrigues e Celinho (Nekinha); Barrinha (Luizinho) e Pedrinho. No banco estavam Wellington, Chupeta, Cafu e Buti. O técnico era Wanderley Paiva, que viria a falecer em novembro de 2023.
O Oeste, comandado por João Ricardo, atuou com Wilson; Carabina (Luciano), Toninho, Zé Ronaldo e Índio; Maranhão, Ricardo Dias, Mosca e Paulista (Hernandes); Cleber (Alex) e Zé Ilton.
A partir daquela derrota em Itápolis, o Marília iniciou uma arrancada marcante na competição. A sequência de jogos mostrou a mudança de postura e desempenho da equipe:
Marília 3×1 XV de Piracicaba
Independente 3×2 Marília
Noroeste 1×3 Marília
Marília 0 (4)x(5) 0 São Bento
Garça 3×4 Marília
Marília 1×0 Bandeirante
Marília 2×1 Flamengo de Guarulhos
Taquaritinga 2×1 Marília
Marília 1×0 Atlético Sorocaba
Jaboticabal 0x3 Marília
Marília 4×1 União de Mogi
Taubaté 4×3 Marília
Marília 5×0 XV de Jaú
Ao término das 30 rodadas, o Marília saltou da 10ª para a 5ª colocação, alcançando 49 pontos. Inicialmente, apenas os dois primeiros colocados garantiriam acesso: São Bento, com 60 pontos, e Atlético Sorocaba, com 56.
No entanto, a criação do torneio Rio-São Paulo naquele período alterou o cenário. Com a ampliação de vagas, também conquistaram o acesso Flamengo (56 pontos), Bandeirante (52 pontos) e o próprio Marília, com 49 pontos, consolidando a virada construída dentro de campo.
Impulsionado por essa conquista, o clube entrou na temporada de 2002 em ascensão. O Marília foi campeão paulista e, com desistências de equipes, herdou uma vaga na Série C do Campeonato Brasileiro, que naquele ano contou com 61 participantes.
Na competição nacional, o desempenho foi além das expectativas. O Marília chegou à final e terminou como vice-campeão da Série C, garantindo o acesso à Série B. Em menos de dois anos, o clube havia saído da Série A3 estadual para a segunda divisão do futebol brasileiro.
A partir daí, consolidou-se um dos períodos mais marcantes da história do clube. O Marília permaneceu na Série B até 2008 e disputou o Campeonato Paulista de forma ininterrupta até 2009.
Sob a gestão de Luiz Antonio Duarte Ferreira, o Cai-Cai, a chamada Era American Sport transformou completamente o Marília Atlético Clube, levando-o a um patamar que, até então, parecia distante para o torcedor maqueano.





