PUBLICIDADEspot_imgspot_img

Jurandir de Freitas: campeão do mundo pela Seleção Brasileira, mariliense tem apenas uma rua como homenagem

Único jogador nascido em Marília a integrar um elenco campeão de Copa do Mundo, Jurandir de Freitas construiu uma carreira de destaque no futebol brasileiro, mas recebeu da cidade natal apenas uma discreta homenagem: uma rua em seu nome na zona norte do município.

Poucos jogadores no mundo podem dizer que fizeram parte de uma campanha vencedora de Copa do Mundo. Menos ainda nasceram em Marília e chegaram ao topo do futebol internacional. Esse foi o caminho percorrido por Jurandir de Freitas, zagueiro campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1962 e um dos maiores nomes da história do futebol mariliense.

Mais de seis décadas após a conquista do bicampeonato mundial no Chile, a principal homenagem prestada ao ex-jogador na cidade onde nasceu é a Rua Jurandir de Freitas, localizada no Núcleo Habitacional Alcides Matiuzzi.

Início e primeiros passos em Marília

Nascido em Marília em 12 de novembro de 1940, Jurandir teve uma infância simples. Antes de alcançar o futebol profissional, trabalhou como engraxate, pedreiro, mecânico e motorista para ajudar no sustento da família.

Apaixonado pelo esporte, jogava em ruas de terra batida e campos improvisados da cidade. Sua disciplina e liderança começaram a ser moldadas ainda nos torneios escolares da década de 1950.

Aos 16 anos, ingressou nas categorias de base do São Bento de Marília. Em 1959, estreou profissionalmente pelo Corinthians de Marília, clube comandado pelo presidente Alcides Matiuzzi. Pouco depois retornou ao São Bento, onde ganhou destaque no Campeonato Paulista da Segunda Divisão.

Mesmo atuando em equipes do interior, chamou a atenção da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), sendo convocado para a Seleção Brasileira de Novos, formada por atletas da divisão de acesso paulista. A convocação abriu as portas para o futebol de elite.

A chegada ao São Paulo e a convocação para a Copa do Mundo

O ano de 1962 mudou sua carreira. Em 13 de fevereiro daquele ano, o São Paulo adquiriu seus direitos federativos junto ao São Bento por três milhões de cruzeiros, valor considerado elevado para a época.

Poucos meses depois, Jurandir foi convocado para a Copa do Mundo do Chile. Embora tenha sido reserva de Mauro Ramos durante a campanha, integrou oficialmente o elenco que conquistou o bicampeonato mundial para o Brasil.

Com a camisa da Seleção Brasileira principal, disputou 18 partidas e ainda conquistou a Taça Oswaldo Cruz, em 1962 e 1968, além da Taça Rio Branco, em 1967.

Campeão e referência no São Paulo

Foi no São Paulo que Jurandir viveu o auge da carreira. Com 1,90 metro de altura, destacava-se pela força física, velocidade e versatilidade para atuar tanto como quarto-zagueiro quanto como zagueiro central.

Ao longo de dez anos no Morumbi, disputou 418 partidas e tornou-se um dos pilares defensivos da equipe.

Números de Jurandir no São Paulo

  • 418 jogos disputados
  • Campeão Paulista de 1970
  • Campeão Paulista de 1971
  • Convocado para a Copa do Mundo de 1962
  • 18 partidas pela Seleção Brasileira

Além do desempenho em campo, ficou conhecido pelo perfil comunicativo e pelas entrevistas que frequentemente movimentavam os bastidores do futebol brasileiro.

Jurandir em treinamento da Seleção Brasileira! Crédito: revista do Esporte número 167 – 19 de maio de 1962.
Jurandir em treinamento da Seleção Brasileira! Crédito: revista do Esporte número 167 – 19 de maio de 1962.

Retorno a Marília e dificuldades após o futebol

Após deixar o São Paulo em 1972, Jurandir retornou a Marília para defender o Marília Atlético Clube. Posteriormente, seguiu para o Operário de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Uma lesão no joelho e uma cirurgia mal conduzida aceleraram o encerramento de sua carreira profissional.

Fora dos gramados, enfrentou dificuldades financeiras. Tentou administrar duas casas lotéricas e uma lanchonete, mas os empreendimentos não prosperaram. Para sustentar a família, trabalhou no setor de segurança da Sabesp até a aposentadoria.

Em 1986, também tentou ingressar na política ao disputar uma vaga de deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas não foi eleito.

Legado permanece vivo no futebol mariliense

Jurandir de Freitas faleceu em 6 de março de 1996, aos 55 anos, em São Paulo.

Apesar da importância de sua trajetória, o único mariliense campeão do mundo pela Seleção Brasileira recebeu da cidade apenas uma homenagem oficial: a rua que leva seu nome no Núcleo Habitacional Alcides Matiuzzi.

Seu legado, entretanto, vai muito além de uma placa de identificação. Jurandir permanece como um dos maiores atletas já revelados por Marília, referência para gerações de jogadores e personagem marcante da história do futebol brasileiro.

  • Foto capa/Terceiro Tempo : Confira o saudoso Jurandir de Freitas, com seus três filhos, em 1965, no gramado do Morumbi

spot_imgspot_img

COMPARTILHE

NOTÍCIAS RELACIONADAS

spot_imgspot_img

Base

spot_imgspot_img

FUTEBOL NACIONAL

Novo pedido de impeachment e saída de joia aumentam pressão no Corinthians

Conselheiros questionam contratos de segurança de Osmar Stabile, enquanto clube perde promessa da base e negocia patrocínio de R$ 17 milhões. O Corinthians vive um...

Santos tem Brazão liberado pelo STJD e projeta mudanças profundas no elenco

Goleiro tem pena convertida em advertência e fica à disposição de Cuca; diretoria tenta renovar com Escobar e prepara barca de saídas para aliviar...

São Paulo negocia Victor Sá e busca destino para Arboleda; veja mudanças no elenco

Clube aproveita pausa da Copa para reformular grupo sob comando de Dorival Júnior; zagueiro equatoriano está fora dos planos e atacante ex-Botafogo é alvo...