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24 ANOS DA GLÓRIA ETERNA O milagre do Abreuzão: A épica conquista do Marília na Série A2 de 2002 e o renascimento do Tigrão

Há exatos 24 anos, em 26 de maio de 2002, o MAC vencia a Francana por 3 a 0 em uma noite de drama, troca de técnico na madrugada e festa inesquecível para 15 mil torcedores.

O calendário marca 26 de maio, uma data sagrada para o torcedor maqueano. Hoje, celebram-se 24 anos de um dos capítulos mais improváveis e emocionantes da história do futebol paulista. Naquele domingo de 2002, o Marília Atlético Clube (MAC) não apenas vencia a Francana por 3 a 0; ele encerrava um hiato de quase uma década longe da elite e escrevia uma epopeia que começou com um avião em meio a uma tempestade e terminou com uma cidade inteira em transe.

A caminhada para o título da Série A2 de 2002 foi uma montanha-russa de emoções. Após um 2001 difícil, onde o clube quase caiu para a última divisão, a gestão de Luís Antônio Duarte Ferreira, o “Cai-Cai”, iniciou uma reconstrução baseada em um planejamento técnico ousado. O auge dessa ambição foi a contratação de Palhinha, bicampeão mundial pelo São Paulo, que chegou a Marília com status de rei, sendo recebido por uma multidão em frente ao Bento de Abreu. Mas, para ser campeão, o Tigrão precisaria de mais do que estrelas; precisaria de um milagre.

A Tempestade e o “Rei” na Madrugada

O cenário para a finalíssima era desolador. No primeiro jogo, em Franca, o Marília perdeu por 2 a 0. Pelo regulamento da época, que muitos consideravam “maluco”, cartões vermelhos pesavam como gols no desempate. Como o MAC havia tido Celinho expulso, a equipe precisava vencer por três gols de diferença no Abreuzão para garantir o título.

A tensão explodiu nos bastidores na calada da noite anterior à decisão. A diretoria, insatisfeita com o clima pesado e a derrota na ida, decidiu demitir o técnico Wagner Benazzi às 2 horas da manhã de domingo. O anúncio ocorreu após a comitiva do clube enfrentar uma tempestade severa que forçou um pouso de emergência em Botucatu. Para o lugar de Benazzi, foi chamado Luiz Carlos Ferreira, o “Rei dos Acessos”, que chegou com a missão de injetar brio no elenco em poucas horas. Ferreira foi audaz: desmontou o esquema defensivo, sacou volantes e colocou um time ultraofensivo com Luiz Fernando, Perdigão e Palinha municiando o ataque.

O Caldeirão Ferve: Três Atos de uma Virada Histórica

No dia 26 de maio, o Abreuzão virou um caldeirão azul e branco. Os portões foram abertos três horas antes do apito inicial para receber cerca de 15 mil torcedores. Antes da bola rolar, um episódio aumentou ainda mais a motivação do elenco maqueano: dirigentes da Francana foram vistos tirando fotos com a taça, atitude que repercutiu entre jogadores e torcida.

Empurrado pela arquibancada, o time comandado por Luiz Carlos Ferreira começou a partida em ritmo intenso. O primeiro gol saiu aos 24 minutos do primeiro tempo. Após cruzamento preciso pela direita, Edu Esídio apareceu livre para cabecear firme e abrir o placar: 1 a 0.

A pressão continuou. Aos 36 minutos, Andrei, que havia recuperado espaço no elenco durante a campanha, mostrou sua principal característica. Em cobrança de falta perfeita, acertou o ângulo e ampliou para 2 a 0, levando o Abreuzão ao delírio.

Leia mais: 24 ANOS DA GLÓRIA ETERNA O milagre do Abreuzão: A épica conquista do Marília na Série A2 de 2002 e o renascimento do Tigrão

O Marília foi para o intervalo precisando de apenas mais um gol para garantir o acesso e o título da Série A2. E ele veio logo no início da etapa final. Aos cinco minutos, Palhinha invadiu a área e finalizou para defesa de Marcelo Flores. No rebote, Nei Bala apareceu livre para empurrar para as redes e fazer 3 a 0.

Nos minutos finais, a Francana aumentou a pressão em busca de uma reação improvável, enquanto o Marília tentava administrar a vantagem construída no placar. Tico Mineiro ainda assustou em cobrança de falta que passou rente à trave defendida por Marcelo Cruz. Do outro lado, o lateral Rossato quase ampliou ao acertar o travessão em uma das últimas oportunidades da partida. No apito final do árbitro Romildo Correia, o gramado do Abreuzão foi invadido pela torcida. O Marília Atlético Clube conquistava o título da Série A2 de 2002 em uma das tardes mais históricas do futebol mariliense.

O Legado e a Noite que não Acabou

A festa não terminou no gramado. A cidade entrou em estado de graça por meses. Jogadores e comissão técnica celebraram em uma boate local até as 6h30 da manhã, assistindo aos gols em fitas VHS repetidamente. Luiz Carlos Ferreira, em um gesto de nobreza, dividiu os méritos com Vanderlei Paiva e Wagner Benazzi, reconhecendo a construção coletiva daquele esquadrão.

Hoje, passados 24 anos, a lembrança daquele 26 de maio de 2002 serve como lembrete da grandeza do Marília Atlético Clube. Foi o dia em que o Tigrão provou que, com fé, ousadia e o apoio de sua gente, nenhum regulamento ou desvantagem é capaz de deter um destino de glória.

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FICHA TÉCNICA

Competição: Campeonato Paulista Série A2 – Final
Jogo: Marília 3 x 0 Francana
Local: Estádio Bento de Abreu (Abreuzão), em Marília (SP)
Data: 26 de maio de 2002
Árbitro: Romildo Correia
Assistentes: Willian Valdemir Zaccaria e Arthur Alves Júnior

Cartões amarelos: Grotto, Andrei, João Marcos e Perdigão (Marília); Garrinchinha (Francana)
Cartão vermelho: Leandrinho (Marília)

Gols: Edu Isídio, aos 24 minutos do 1º tempo; Andrei, aos 36 minutos do 1º tempo; Nei Bala, aos 5 minutos do 2º tempo.

Marília: Marcelo Cruz; Claudemir, Grotto, Andrei e Rossato; João Marcos, Luiz Fernando (Leandrinho), Palhinha (Aílton) e Perdigão; Edu Isídio (Sandro Oliveira) e Nei Bala.
Técnico: Luiz Carlos Ferreira.

Francana: Marcelo Flores; Jaiminho, Garrinchinha, Willian e Da Silva; Glaydson, Daniel (Deivid), Roni e Washington Fubá (Leonardo); Tico Mineiro e Dé (Luiz Gustavo).
Técnico: Wantuil Rodrigues.

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