Clima ruim no CT da Barra Funda, escolha de Luan na semifinal contra o Palmeiras e “superfolga” após a eliminação pesaram contra o treinador. São Paulo sondou Filipe Luís, que recusou trabalhar no Brasil em 2026, e agora avalia Roger Machado para assumir o comando.
O São Paulo anunciou nesta segunda-feira, 9 de março, a demissão do técnico Hernán Crespo. Apesar de ter surpreendido parte da torcida, a decisão já vinha sendo amadurecida internamente após uma sequência de episódios que aumentaram o desgaste entre o treinador argentino, a diretoria e parte do elenco.
A eliminação para o Palmeiras na semifinal do Campeonato Paulista acabou sendo apenas o estopim de uma relação que já apresentava sinais claros de desgaste dentro do CT da Barra Funda.
Somadas as duas passagens, foram 99 jogos sob o comando do treinador argentino, com 45 vitórias, 26 empates e 28 derrotas. Houve ainda quatro jogos em que Crespo se ausentou por questões de saúde e foi representado por Juan Branda, todos em 2021 (dois empates e duas derrotas).
Escalação polêmica na semifinal
Um dos episódios que mais incomodaram a diretoria aconteceu justamente na semifinal do Paulistão contra o Palmeiras. Crespo decidiu escalar o volante Luan como titular na partida decisiva.
Nos bastidores, dirigentes entenderam que o treinador apostou em uma espécie de superstição, lembrando que Luan marcou um gol importante na final do Paulistão de 2021 contra o próprio Palmeiras. A decisão foi considerada arriscada e sem respaldo no momento técnico do jogador.
Outra escolha que gerou forte repercussão foi a entrada do centroavante André Silva no segundo tempo. Atacantes como Ferreira e Tapia, que participaram de toda a campanha do estadual, ficaram no banco, enquanto Crespo optou por um jogador que não atuava havia cerca de oito meses.
A decisão gerou irritação tanto na diretoria quanto entre jogadores do elenco.
Episódio no ônibus após eliminação
Outro fato que repercutiu negativamente ocorreu logo após a eliminação. Durante o retorno da delegação após o jogo na Arena Barueri, dirigentes e jogadores ainda lamentavam a derrota quando Crespo e integrantes da comissão técnica foram ouvidos comentando a rodada do Campeonato Argentino.
A atitude foi interpretada por parte da cúpula tricolor como falta de sintonia com o momento vivido pelo clube.
“Superfolga” revolta diretoria
Um dos principais motivos que pesaram contra Crespo foi a decisão de conceder três dias e meio de folga ao elenco após a eliminação no Paulistão.
A chamada “superfolga” foi considerada exagerada pela diretoria. No dia seguinte à queda no estadual, o executivo Rui Costa e o gerente esportivo Rafinha foram ao CT da Barra Funda para conversar com o grupo, mas não encontraram integrantes da comissão técnica.
Mesmo com folga programada até quinta-feira, alguns jogadores apareceram no centro de treinamento na terça-feira para treinar, mas encontraram apenas o preparador físico da comissão.
Treinos curtos e planejamento questionado
Também houve críticas internas ao planejamento de treinos nas semanas anteriores. Em determinado momento, Crespo concedeu três dias de folga ao elenco em meio à preparação para o Campeonato Brasileiro.
Além disso, integrantes da diretoria questionaram a duração de algumas atividades. Em uma das semanas, um treinamento realizado na quinta-feira durou menos de uma hora, situação que aumentou o descontentamento no clube.
Problemas de relacionamento no elenco
Outro ponto que contribuiu para o desgaste foi o relacionamento do treinador com parte do elenco. Nos bastidores, havia relatos de dificuldades na convivência com alguns jogadores mais experientes.
Entre os nomes citados estão Lucas Moura e Cédric Soares, atletas considerados importantes dentro do grupo.
Além disso, Crespo demonstrou insatisfação com algumas contratações feitas pelo clube, como o volante Danielzinho e o lateral Lucas Ramon, ambos ex-Mirassol.
Viagem à Argentina antes de jogo
Outro episódio lembrado internamente aconteceu antes da derrota para a Portuguesa pelo Campeonato Paulista. Crespo viajou para a Argentina antes da partida e não comandou o último treino da equipe.
O resultado acabou sendo considerado importante para a campanha irregular na primeira fase, que deixou o São Paulo sem vantagem de mando nas fases eliminatórias.
São Paulo busca novo técnico
Com a saída de Crespo confirmada, o São Paulo iniciou imediatamente a busca por um novo treinador para a sequência da temporada.
O primeiro nome consultado foi Filipe Luís, ex-técnico do Flamengo. No entanto, o profissional respondeu ao clube que não tem interesse em trabalhar no futebol brasileiro em 2026.
Diante da negativa, outro treinador passou a ser avaliado pela diretoria.
Roger Machado ganha força
O nome que ganhou força nos bastidores do Morumbi é o de Roger Machado. O treinador está livre no mercado desde setembro, quando deixou o comando do Internacional.
Dirigentes do São Paulo veem o técnico com bons olhos e já realizaram uma sondagem inicial para entender condições e valores. Apesar disso, a decisão final ainda não foi tomada.
Enquanto define o novo comandante, o São Paulo segue sua programação na temporada. O próximo compromisso será contra a Chapecoense, na quinta-feira (12), às 20h, pelo Campeonato Brasileiro.
Depois, o time encara o Red Bull Bragantino fora de casa no dia 15 e o Atlético Mineiro no dia 18.
São Paulo comunica saída de Hernán Crespo
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) March 9, 2026
O São Paulo Futebol Clube definiu nesta segunda-feira (09) a saída do técnico Hernán Crespo. Também deixam o clube os auxiliares Juan Branda e Victor López, os preparadores físicos Federico Martinetti e Leandro Paz e o preparador de… pic.twitter.com/LJtF2bFN5M





