- Atleta de 20 anos relata ter sido chamado de “macaco” e alvo de ameaças e arremesso de lata de cerveja; arbitragem acionou protocolo antirracismo durante partida que terminou em 1 a 1; imagem ilustrativa. (Arte: Edmais Esporte).
Arbitragem aciona protocolo antirracismo após ofensas racistas e arremesso de lata contra atleta de 20 anos
Um episódio de injúria racial, ameaças e intimidação marcou a disputa do 6º Campeonato Amador Veracruzense. A partida entre Treze de Maio F.C. e Amigos do Da Travessa, realizada no Estádio Paulo Guerreiro Franco, em Vera Cruz, foi interrompida momentaneamente após denúncias de ofensas racistas contra o jogador J. H. M. F. d. S., de 20 anos.
O caso foi registrado na Polícia Civil por meio do Boletim de Ocorrência. Após a intervenção da arbitragem, o confronto foi retomado e terminou empatado em 1 a 1.
Ofensas racistas e arremesso de lata
De acordo com o boletim de ocorrência, o episódio aconteceu na noite do último sábado, 10 de outubro de 2026, por volta das 21h. O atleta do Amigos do Da Travessa, teria sido alvo de provocações após concluir uma jogada pelo setor lateral do campo e comemorar com um conhecido integrante da equipe adversária.
Segundo o relato policial, J.V. G. C., de 29 anos, iniciou as ofensas contra o jogador. Embora acompanhasse a partida do lado de fora do gramado, na condição de torcedor, ele é atleta cadastrado no campeonato pela equipe Azul Celestial.
Ainda conforme o registro, as provocações começaram com palavrões direcionados ao jogador e à mãe dele. Na sequência, o homem teria arremessado uma lata de cerveja na direção do atleta.
O objeto passou perto da cabeça do jogador, que não revidou e permaneceu concentrado na partida.
Jogador teria sido ameaçado de agressão
A situação se agravou com ameaças de violência física e danos ao patrimônio. Conforme o boletim de ocorrência, o homem subiu na estrutura de proteção do gramado, demonstrando intenção de entrar no campo.
Na sequência, teria ameaçado procurar o veículo do atleta para furar os pneus. Também afirmou que o jogador veria o que aconteceria quando deixasse o estádio.
O relato policial aponta ainda que o atleta foi alvo de ofensas racistas, incluindo expressões como “macaco”, “neguinho”, “preto” e “cabelo ruim”.
As manifestações discriminatórias teriam sido ouvidas pelo mesário da partida, que comunicou o ocorrido à equipe de arbitragem do Grupo de Arbitragem do Interior Paulista (GAIP), de Marília.
Arbitragem acionou protocolo antirracismo
Diante das denúncias, o árbitro interrompeu a partida e acionou o protocolo antirracismo previsto pela organização do campeonato.
O suspeito deixou o estádio após a intervenção. Sem novos incidentes, a partida foi reiniciada e terminou com o placar de 1 a 1.
Caso foi registrado na Polícia Civil
A ocorrência foi formalizada perante a Polícia Civil, com registros de ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal, e injúria racial, conforme a legislação indicada no boletim.
O caso será apurado pelas autoridades policiais, que deverão investigar as circunstâncias dos fatos e a eventual responsabilidade do suspeito.
O episódio reforça a necessidade de medidas efetivas de prevenção e combate ao racismo no futebol amador. A prática esportiva deve ser um ambiente de respeito, segurança e igualdade, dentro e fora das quatro linhas.
As informações desta reportagem têm como base o boletim de ocorrência registrado junto à Polícia Civil. As acusações relatadas estão sujeitas à apuração pelas autoridades competentes, e a responsabilidade do investigado deverá ser estabelecida conforme o andamento do procedimento legal. O Edmais Esporte permanece aberto à manifestação dos envolvidos.







