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Achei que não ia poder mais jogar bola”: goleiro do Corinthians fala sobre 24 anos com diabetes

  • Lucas Oliveira recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 aos 11 anos e transformou os cuidados com a saúde em parte da rotina de atleta profissional. (Fotos: Divulgação/Instagram).

Do medo de abandonar o futebol à carreira no Corinthians

Aos 11 anos, Lucas Cássio de Oliveira recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 e imaginou que teria de abandonar o futebol. Mais de duas décadas depois, aos 35, o goleiro defende o Corinthians Futsal e mantém a carreira esportiva conciliada com o tratamento.

Em participação no videocast Caminhos do Ouro, Lucas relembrou o impacto que o diagnóstico provocou na infância e contou como aprendeu a administrar a condição enquanto seguia no esporte.

“Eu achei que eu não ia poder mais jogar bola”, afirmou o goleiro durante o podcast.

Na época, segundo Lucas, a família tinha menos informações sobre o diabetes. A preocupação da mãe aumentou diante das dúvidas sobre o futuro do filho e sobre a possibilidade de ele continuar praticando futebol.

Com o passar dos anos, o atleta passou a compreender melhor a condição e incorporou os cuidados à rotina. Insulina, alimentação e monitorização da glicemia passaram a fazer parte da preparação para treinos e partidas.

Diabetes passou a fazer parte da rotina esportiva

Lucas explica que conviver com diabetes exige atenção constante, mas não o impediu de seguir no esporte de alto rendimento. Para o goleiro, os cuidados passaram a fazer parte da preparação como qualquer outro aspecto da carreira.

“Tem que medir, tomar insulina, corrigir, pensar um pouco no que eu vou comer”, contou no videocast.

A experiência acumulada ao longo de 24 anos também ajudou o jogador a identificar como o organismo reage diante de diferentes situações, especialmente durante atividades físicas intensas.

Segundo Lucas, ele nunca precisou abandonar uma partida ou treino por causa de uma crise grave de glicemia. Mesmo assim, alterações nos níveis de glicose exigem acompanhamento e ajustes ao longo do dia.

Adrenalina pode interferir na glicemia durante os jogos

A competição apresenta um desafio adicional. Lucas relata que a adrenalina dos jogos pode alterar os níveis de glicose, exigindo atenção maior durante as partidas.

O goleiro acompanha a glicemia e realiza correções quando necessário. O cuidado também continua depois do jogo, período em que os níveis podem sofrer novas alterações após o esforço físico e a queda da adrenalina.

A rotina fez com que o atleta aprendesse a observar os sinais do próprio corpo e a acompanhar a glicemia em diferentes momentos do dia.

Lucas também relatou que ajusta a quantidade de insulina basal em determinadas situações para tentar manter os níveis mais estáveis. A experiência, porém, é individual e depende da resposta de cada organismo.

Sensor de glicemia ajuda no acompanhamento

A tecnologia também se tornou uma aliada do goleiro. Lucas utiliza o FreeStyle Libre, sistema de monitorização contínua que permite acompanhar os níveis de glicose por meio de um sensor colocado no braço.

As informações podem ser consultadas pelo celular ou por um leitor, facilitando o acompanhamento durante a rotina e a prática esportiva.

Para o atleta, os recursos disponíveis atualmente representam uma diferença importante em relação ao período em que recebeu o diagnóstico, no início dos anos 2000.

Naquela época, havia menos informação sobre diabetes e menos recursos tecnológicos para auxiliar no controle diário da condição.

Do medo aos 11 anos ao reconhecimento nas quadras

O garoto que acreditava que não poderia mais jogar futebol acabou construindo uma carreira no futsal e chegou ao Corinthians.

Durante o videocast, a trajetória esportiva de Lucas aparece como exemplo de como o diagnóstico não determinou os limites de sua carreira. O goleiro passou a conviver com o diabetes sem deixar que a condição definisse sua relação com o esporte.

O reconhecimento dentro das quadras veio como resultado de anos de treinamento, dedicação e trabalho profissional.

O diabetes, nesse caminho, passou a ser mais uma parte da rotina do atleta — e não um obstáculo para sua carreira.

Mais informação mudou a relação com o diabetes

Lucas também destacou a diferença entre o momento do diagnóstico e a realidade atual. Quando descobriu a doença, entre 2001 e 2002, ele e a família tinham menos informações sobre como seria possível conviver com o diabetes.

O desconhecimento alimentou o medo de que o futebol precisasse ficar para trás. Com o tempo, porém, o goleiro aprendeu a entender seu organismo e a incorporar o tratamento à vida cotidiana.

Hoje, ele defende que o diabetes não precisa impedir uma pessoa de estudar, trabalhar ou praticar esporte.

“Você consegue conviver com diabetes fazendo qualquer coisa”, afirmou Lucas.

A história do goleiro mostra uma mudança de perspectiva: o diagnóstico que, na infância, parecia significar o fim do futebol acabou sendo incorporado à rotina de um atleta profissional.

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