- Carlos Bulho Fonseca, o Carlão, comemorava mais um aniversário em 2021, durante a pandemia. Símbolo do Marília Atlético Clube, dedicou décadas à descoberta e formação de talentos que marcaram o futebol brasileiro. (Foto: Hélio Fernandes / Edmais Esporte).
Referência histórica na base do Tigre, lendário treinador e olheiro é lembrado neste feriado de 7 de setembro por sua dedicação incansável ao esporte mariliense
O futebol de Marília e da região recorda nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, a trajetória marcante de Carlos Bulho Fonseca, o eterno Carlão do MAC. Se estivesse vivo, o lendário treinador e descobridor de talentos completaria 78 anos de idade.
Natural do município de Herculândia, ele dedicou décadas da sua vida à formação de jovens atletas, transformando a base do Marília Atlético Clube em um celeiro de craques e deixando um legado que atravessa gerações.
Nascido em 7 de setembro de 1948, Carlão fixou residência em Marília no ano de 1968, após passagens por Tupã e Garça. Antes de se consagrar na formação de novos talentos, ele atuou no futebol amador regional como meio-campista.
A virada em sua carreira ocorreu em 1978, quando aceitou o convite de Antônio Maria Pupo Gimenes para integrar o projeto das categorias de base do Tigre, logo após comandar uma equipe local que venceu o “Maquinho” em um torneio organizado pelo narrador Osmar Santos.
No início de seu trabalho no clube, Carlão começou orientando os garotos nas quadras de futsal que existiam ao lado da arquibancada do Estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal, o Abreuzão. Posteriormente, levava os jovens para o campo para disputar campeonatos municipais e regionais.
A partir dessas competições de base, selecionava os atletas de maior destaque para integrar as equipes oficiais do Maquinho na Federação Paulista de Futebol, consolidando um método eficiente de captação.
A faro apurado para identificar o potencial de jovens jogadores fez com que Carlão se tornasse nacionalmente reconhecido como um dos grandes descobridores de talentos do interior paulista.
Sob a sua orientação e olhar atento passaram nomes que marcaram o futebol brasileiro e internacional, como o técnico Dorival Júnior, além de ex-jogadores consagrados como Jorginho Putinatti, Márcio Rossini, Bernardo, Raudinei, Sérgio Néri e o atacante Guilherme.
Além de seu papel fundamental na base, Carlão serviu ao time profissional do Marília como auxiliar técnico em diversas ocasiões ao longo dos anos. Ele fez parte da comissão técnica liderada por Walter Zaparoli na histórica conquista da Taça São Paulo de Futebol Júnior em 1979.
Embora nunca tenha assumido o cargo de treinador principal da equipe de cima, sua presença na comissão era vista como ponto de equilíbrio e conhecimento profundo do elenco. Nas categorias de base, acumulo títulos marcantes pelos Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior representando a cidade.
Em uma das edições mais emblemáticas dos Jogos Abertos, disputada em Santo André, o título foi decidido a favor de sua equipe no cara ou coroa na moeda, após empate absoluto em todos os critérios de desempate do regulamento, protagonizando um dos episódios mais curiosos da história do esporte regional.
A ligação do treinador com o Estádio Abreuzão superava os limites das quatro linhas e do trabalho diário. Carlão morou durante mais de quatro décadas em um modesto alojamento localizado abaixo das arquibancadas do estádio.
Da sua tradicional poltrona posicionada logo na entrada, ele acompanhava a movimentação diária do clube, conversando com atletas, dirigentes e torcedores, tornando-se uma figura folclórica e símbolo vivo da identidade do Marília Atlético Clube.
Carlos Bulho Fonseca faleceu em 8 de junho de 2024, aos 75 anos, de causas naturais, sendo encontrado em seu alojamento no próprio estádio onde viveu desde 1981.
Como homenagem póstuma e reconhecimento público por sua dedicação ao esporte municipal, a praça localizada exatamente em frente ao Estádio Abreuzão recebeu oficialmente o nome de Carlos Bulho Fonseca, perpetuando sua memória para todas as futuras gerações de torcedores.
Curiosamente, enquanto esteve vivo, Carlão mantinha o mistério sobre a sua verdadeira idade e raramente revelava a data exata de seu nascimento aos amigos e à imprensa. Neste feriado de 7 de setembro, a data que marcaria seus 78 anos serve como lembrança de uma vida inteira dedicada ao futebol, à formação de cidadãos e à consolidação da história do Marília Atlético Clube.
O jogo inesquecível de Carlão: o histórico 4 a 4 entre Marília e Ponte Preta no Abreuzão
Entre as centenas de partidas que presenciou ao longo de décadas no Estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal, uma ficou gravada de forma especial na memória de Carlão.
No dia 24 de fevereiro de 1979, um sábado à tarde, Marília e Ponte Preta protagonizaram um duelo épico válido pelo 2º turno do Campeonato Paulista de 1978. Diante de um público pagante de 10.369 torcedores e com renda de Cr$ 387.330,00, o Abreuzão foi palco de um confronto inesquecível de oito gols.
A partida entregou emoção do primeiro ao último minuto. A Ponte Preta abriu o placar logo aos 5 minutos com Toninho Costa, mas o Maquinho reagiu rapidamente com Serginho, aos 13, e virou o jogo com o jovem Jorginho, aos 36 minutos.
A Macaca buscou a igualdade com Afrânio aos 20 da etapa inicial, levando o placar empatado para o intervalo. No segundo tempo, o Marília voltou avassalador e construiu uma vantagem com gols de Ferreira, aos 2 minutos, e novamente de Jorginho, cobrando pênalti aos 27 minutos.
Com a vitória por 4 a 2 praticamente consolidada até a reta final do confronto, o Maquinho acabou cedendo a igualdade nos instantes decisivos. A Ponte Preta reagiu com gols de Osvaldo, aos 32 minutos da etapa final (37 do tempo corrido), e buscou o empate aos 45 minutos com Wilsinho.
O apito final selou o placar de 4 a 4 em uma noite memorável que reuniu futuros craques da Seleção Brasileira e grandes esquadrões do futebol paulista.
Ficha Técnica e Escalações da Partida:
- Marília (MAC): Zecão; Valdirzinho, Márcio Rossini, Clodoaldo e Reinaldo; Soni, Nenê e Serginho; Luís Sílvio, Jorginho e Ferreira. Técnico: Urubatão Nunes.
- Ponte Preta: Carlos; Toninho, Oscar, Juninho e Toninho Costa; Vanderlei, Marco Aurélio (Wilsinho) e Dicá; Lúcio (Humberto), Osvaldo e Afrânio. Técnico: Cilinho.
- Gols do Marília: Serginho (13’/1T), Jorginho (36’/1T e 27’/2T – pen) e Ferreira (2’/2T).
- Gols da Ponte Preta: Toninho Costa (5’/1T), Afrânio (20’/1T), Osvaldo (32’/2T) e Wilsinho (45’/2T).






